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Complexidade e beleza do macramé rejuvenescem artesã goiana

by xiru last modified 2007-12-05 00:28


Goiás

Artesanato

Artesanato

Diante da vontade de se ocupar para não sentir falta dos netos que vivem com as mães, Terezinha procurou um centro comunitário e, casualmente, descobriu-se artista

Lorranne Tavares


Maria Terezinha Bento é uma artesã goiâna cuja trajetória contraria a maioria das histórias de artistas que se descobriram devido à necessidade financeira. Ao contrário deles, Terezinha encontrou seu grande talento manual quando estava em busca de uma ocupação que a fizesse superar a saudade de seus netos. Acostumada a cuidar deles para as filhas todos os dias, não suportava a idéia de tê-los longe. Então procurou por alguma atividade que pudesse lhe ocupar o tempo.

Nessa procura, Terezinha achou, sim, um grande talento: a habilidade em fazer macramés. Trata-se de um trabalho artesanal com fios, que são transformados em nós de diversos formatos, tudo feito à mão. "O macramé é muito difícil de ser feito porque requer total atenção, muito tempo, preocupação com assimetria e talento. Até "crocheteiras" que pegam para fazer desistem. Tem que ter muita habilidade", adverte Terezinha.

A complexidade dessa arte está realmente na simetria. Além de fazer os nós com precisão, bem amarrados, o artesão precisa atentar-se para os números: a mesma quantidade de nós de cada lado e a mesma quantia de fios para cada nó. Amarrá-los firmemente e com beleza também é habilidade de poucos e o acabamento requer paciência e bom gosto. "É preciso saber fazer. Saber amarrar, nivelar o traçado com a peça, fazer a assimetria. Se não souber, fica feio. Se souber, é lindo", encanta-se.

Diante da vontade de se ocupar para não sentir falta dos netos que vivem com as mães, Terezinha procurou o Centro Comunitário José do Egito Martins em Goiânia, onde passou a participar de atividades da terceira idade e a vender outros trabalhos manuais, como traçado de fitas, ponto-cruz e bordado em máquina. Tempos depois, foi "obrigada" a aprender o macramé, caso quisesse continuar com o trabalho ali. Para não ficar ociosa nem desempregada, aceitou o desafio. Terezinha não só conseguiu aprender a tal arte como passou a ensinar as técnicas para outras mulheres no local.

Atualmente, Terezinha é uma das poucas artesãs de Goiânia que fazem esse trabalho. Não está mais no Centro Comunitário, mas expõe suas peças na Feira do Cerrado, Paço Municipal e Mercado Central. Segundo ela, tudo pode ser ornamentado com macramé: roupas de cama, toalhas, sofás, calçados, roupas, acessórios e até sapatos. As peças chamam a atenção de quem vê: "as pessoas gostam muito. Tem gente que vai à Feira do Cerrado só para conhecer. Um cliente disse que ia colocar em um quadro de tão bonito que achou".

O macramé

A técnica foi trazida ao Brasil pelos árabes e é uma evolução do abrólio, herança dos portugueses. A diferença, de acordo com Terezinha, é que o abrólio é feito com nós simples (como nó de gravata), enquanto o macramé leva nós amarrados para os dois lados. A diversificação de nós possíveis do macramé é também uma das razões para tanta beleza e complexidade. São vários tipos de nós: simples, duplo, festoné (torcido e duplo), treliça, de pipoca etc. Há ainda a possibilidade de unir em uma só peça vários desses nós. Já o abrólio permite apenas o nó simples.

Qualquer tipo de fio pode ser utilizado no macramé, como algodão, lã, mas Terezinha só utiliza o fio de brisa, que é "mais brilhoso e soltinho". As mãos são o principal instrumento de trabalho, além do talento. Todos os dedos são utilizados. Para ajudar, usa-se um jogo de réguas para medir os fios, agulha de crochê para ajudar a passá-los, tesoura e almofada, para deixar a peça firme na hora de amarrar os nós.

Como peça final, praticamente qualquer coisa pode ser produzida, até bijuterias. "É rico ver que sou capaz de fazer um trabalho tão lindo e ainda poder ensiná-lo aos outros. Iguais a mim, inúmeras pessoas dependem do trabalho manual e só têm a ele para sobreviver. Com ele, me sinto gente", apaixona-se Terezinha.

Serviço:
Arte em Macramé
Maria Terezinha Bento
Endereço - Av. C-91 com C-75, qd. 178, Lote16, Casa 03, Setor Sudoeste - Goiânia (GO)
Telefone - (62) 3256-3867 / 9628-6370
Vendas em casa, na Feira do Cerrado, Mercado Central da Avenida 74 e Paço Municipal de Goiânia
Agência Sebrae de Notícias (ASN Goiás) - (62) 3250-2268


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2007-08-16 15:19

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http://www.interjornal.com.br/fotos/6382030m.jpg

ASN/Goiás

Terezinha tira do macramé sua renda, cidadania e sentido de vida






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